Materiais
que levam mais de 600 anos para se decompor continuam sendo jogados nas
matas e trilhas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) por empresas
que prestam serviços terceirizados à instituição. O descaso é
denunciado pela Coordenação Executiva do Sintesam (Sindicato dos
Trabalhadores do Ensino Superior do Estado do Amazonas) desde o mês de
maio de 2013.
Quatro
meses após a primeira denúncia ter sido formalizada, nada foi feito,
conta o coordenador geral do sindicato, José Nilton Pereira. “Se existe
um comitê ambiental, eu não sei o que ele faz, porque não adianta a
gente participar de fóruns, e conferências sobre descarte correto de
lixo e, na prática, nada disso acontecer”, desabafa o coordenador geral.
De
acordo com ele, as empresas terceirizadas são contratadas para fazer
reformas e manutenções, recebem dinheiro público, mas não finalizam o
trabalho destinando os resíduos em locais apropriados. “Eles não
observam os critérios técnicos ambientais e acham que por ser mata podem
abandonar esse lixo na nossa floresta, em áreas do campus universitário
causando poluição e degradação ao meio ambiente”, ressalta.
O
carpete que reverte o piso dos corredores das unidades, são de borracha
e foram substituídos recentemente. As placas de borracha velhas, que
vão demorar um tempo indeterminado para se decompor, foram jogadas entre
as árvores ao redor da praça de alimentação do Instituto de Ciências
Humanas e Letras (ICHL).
Na
entrada do prédio do curso de música e artes visuais, o cenário é de
abandono. Fogão, latas de tinta, papelão e outros materiais utilizados
na manutenção de banheiros e salas foram largados por lá há pelo menos
dois meses.
O
acadêmico do 7º período de Artes Visuais Eduardo Miranda conta que a
paisagem na entrada do curso teve uma grande mudança. “Antes era mais
verde, tinha mais vegetação. Agora, só tem lixo e para retirar isso daí
demora muito tempo”, alerta.
Miranda
destaca um outro problema que, para ele, tem relação com as empresas
que fazem manutenção na Ufam. “Lá atrás do prédio de História tinha uma
pilha de cadeiras que estavam pegando chuva e sol e se deteriorando,
sendo que havia salas que não possuíam cadeiras para os alunos. Acho que
as empresas que vêm fazer essas reformas não estão muito preocupadas em
preservar o nosso espaço e sim ganhar dinheiro”, destaca.
A
CRÍTICA tentou contato com o prefeito da universidade, Atlas Barcelar,
que está em viagem pelo interior do Estado, mas não obteve sucesso. O
engenheiro responsável pelo acompanhamento das obras também não foi
encontrado.
Pedido de novas providências
A
diretoria do Sintesam manifestou preocupação com o descarte de entulhos
que voltaram a ser feito por empresas responsáveis por obras e
manutenção das dependências do Campus. Os coordenadores informaram que
vão encaminhar um relatório e solicitar novas providências à prefeitura
do campus.
Nilton
ressalta ainda entender que inúmeras obras vêm sendo realizadas na área
do campus, contudo, as empresas vêm despejando entulhos e detritos ao
longo dos anos de realização dos trabalhos, quando o procedimento
correto seria o descarte imediato e não o acúmulo dos entulhos em locais
não apropriados.
Pereira
destaca que o campus é uma reserva de área verde que possui cursos
d’água e lençóis freáticos que precisam ser preservados por toda a
sociedade, sobretudo pela Ufam que debate constantemente questões
ambientais e precisa dar exemplo.
http://acritica.uol.com.br/amazonia/Residuos-descartados-reserva-ambiental-Manaus_0_1000099992.html
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