Estimativas
da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(Unesco) dão conta de que até o ano de 2030, serão necessários 8,4
milhões de professores no mundo para assegurar educação a todas as
crianças do ensino primário e secundário.
Mas no Brasil, se continuar a
baixa procura pelos cursos de licenciaturas, haverá cada vez menos,
principalmente em áreas como Exatas e Biológicas. De acordo com o Censo
da Educação Superior 2012, o número de matrículas nesses cursos aumentou
apenas 0,8% entre 2011 e 2012. Para o professor doutor em educação da
Universidade do Estado do Amazonas (UEA) Roberto Mubarac, vários fatores
contribuem para esse quadro, especialmente a desvalorização do trabalho
do professor e a falta de um plano de cargos, carreira e salário.
O
Censo revelou que enquanto os cursos de licenciaturas cresceram menos
de 1%, os tecnológicos apresentaram aumento de 8,5% nas matrículas e os
de bacharelado, 4,6%. Um dado destacado pelo MEC é que a maior parte das
matrículas em cursos a distância foi de alunos de licenciatura,
totalizando 40,4%.
O
MEC anunciou neste mês a criação de um programa para aumentar o
interesse dos jovens pela carreira docente, especificamente nas áreas
onde o déficit é maior: física, química, biologia e matemática (para
saber mais, clique aqui). Segundo cálculos do próprio governo federal, o
déficit é de 170 mil professores na área de exatas.
ATRATIVIDADE
Para
especialistas, a baixa procura é resultado da pouca atratividade da
carreira docente. A sociedade tem construído uma imagem negativa do
trabalho do professor com as greves que duram meses, porque eles não
conseguem mostrar as consequências da falta de políticas valorização,
afirma Mubarac, lembrando que após o início da década dos anos de 2000
essa questão ficou mais evidente. A perda do direito de ter um plano de
cargos e salários e até benefícios como plano de saúde ser refletem na
profissão. Outro fator citado por ele foi a formação em grande número de
pedagogos não absorvidos pelo mercado de trabalho, que é carente em
algumas áreas como Matemática, Física, Química, mas não tem vaga
suficiente para acolher os formandos de outras áreas.
A
falta de concursos públicos para a carreira de pedagogia é também fator
preponderante no desinteresse pela profissão, segundo o professor da
UEA, coordenador do curso de Pedagogia da instituição. Para Mubarac,
como essa profissão é a base de todas as demais, pode-se entender a
razão da crise de ética pela qual passa o País. Segundo ele, é o
professor que contribui na formação ética das crianças e sem um
profissional capacitado e valorizado para fazer isso, fica uma lacuna
que se reflete em todas as profissões.
Nenhum comentário:
Postar um comentário